
Para relembrar, resolvi colocar aqui a matéria que eu fiz ainda em 2007 sobre Eddye, as revoluções que ele estava provocando no pagode e a sua antiga banda Fantasmão. Essa é uma das matérias que mais me orgulho de ter feito, para o jornal Subescrito, da FSBA. Minha antiga professora, Nadja Vladi, vendo o sucesso de Eddye tempos depois, chegou a me chamar de visionário. Espero conseguir em breve fazer outra entrevista com meu amigo Eddye, agora sobre o Edcity.
Combater a injustiça e defender os oprimidos. Há mais semelhanças entre o baiano de Catu, Eddye, 24, e o sexagenário herói dos quadrinhos, Fantasma, do que apenas o nome. Líder da banda Fantasmão, ele vem sendo considerado símbolo dos excluídos baianos. O estilo de se vestir e os temas que costuma tratar em suas músicas remetem logo ao primeiro dos mascarados das HQs, desenhado desde 1936, por Lee Falk. Tal como o personagem, ele não possui super poderes. “A minha arma é o microfone. Acho que o povo tem que ajudar o povo”. Parece que o público concorda. Em sete meses, já possui uma legião de fãs que decorou suas músicas e repete cada verso como verdadeiros soldados que seguem um líder. “Olha o negão que é do gueto trazendo moda pra galera”, sintetiza, na letra de “Black Power”.
Mas, acentua Eddye, o sucesso não subiu à cabeça e ele continua uma pessoa simples, do povo. Afinal, um artista “na crista da onda” que recebe um estudante de jornalismo para almoçar e deixa o seu prato esfriar sobre a mesa do restaurante simples para responder às perguntas não é uma cena fácil de se imaginar: “Não esquenta, não, parceiro. A conversa ‘tá’ muito melhor do que o ‘rango’”, sentencia.
Em uma de suas músicas, Eddye canta em defesa da autenticidade. “Só não pode querer ser o que não é”. Talvez isso explique o assédio do público, recebido com a mesma atenção, no restaurante ou no trânsito. De dentro do carro, brinca: “fantasmas existem, não tenham medo, não”.
a trajetória// A tatuagem de Clave de sol revela uma das paixões de adolescente. A música entrou definitivamente na vida de Eddye aos 14 anos, quando começou a cantar em bandas de pagode, em Catu. Em 2005, teve a grande chance da carreira, quando foi escolhido, num teste, para cantar no Parangolé, chamando a atenção com músicas como “Ai Delícia” e “Tome Baculejo”.
Mas a carruagem virou abóbora e sua passagem pelo Parangolé acabou de maneira conturbada. “Não gosto de lembrar dessas coisas. O que passou, passou. Espero que dê tudo certo para todo mundo”. Na separação, sem duvidar de seu talento, ele tinha medo que ainda não tivesse conseguido firmar um nome para viabilizar um projeto próprio. Reuniu amigos que já tinham tocado com ele e montou o “Fantasmão”. Assim nasceu o grupo que, no nome, nas letras das músicas e no figurino expressa sua meta: chocar e assustar: “Agora eu já posso colocar o meu estilo na banda. Antigamente, só podia fazer o que mandavam”.
O novo estilo foi batizado pelos próprios músicos de “Groove Arrastado” e pretende ser um tipo diferente de pagode, mesmo com a chance de não atingir o grande público, explica Eddye.
A banda gravou um primeiro CD em 2006, que não foi muito divulgado. “Estava muito radical, iria chocar demais o público do pagode, então resolvemos gravar e lançar logo um outro álbum menos assustador”, conta.
A estratégia deu certo. O segundo disco caiu no gosto do público, e uma das faixas ficou entre as mais executadas no carnaval de 2007, “É Massa”. Embora não representasse tanto o estilo das composições de Eddye, a música levou o público às outras músicas, que hoje já estão na ponta da língua dos seus “seguidores”.
armação racial//
“Pra você que pensa que negro correndo é ladrão, tem branco de gravata roubando
de montão.” Eddye costuma denunciar, nas suas letras, a discriminação que o negro
sofre, além de exaltar as suas qualidades. “As pessoas geralmente me perguntam por
que eu falo tanto na questão racial, mesmo sendo moreno claro. Mas eu costumo falar:
preto é cor, mas negro é raça. E eu sou negão”.
Suas músicas são assim, tocam na ferida do preconceito velado que existe em cada ser
humano, filosofa. Apesar de não se considerar uma pessoa religiosa, Eddye também fala de religião, sempre reforçando seu discurso afirmativo pela exaltação da raça negra. “É difícil de
entender como, quase sempre, Jesus é pintado ou imaginado como um homem branco, de cabelos lisos, mesmo tendo sido do Oriente Médio”, indigna-se.
chamando atenção//
Com a mudança no estilo e a inserção dessas novas temáticas, Eddye conseguiu atrair a simpatia inclusive de pessoas que não gostavam de pagode, como o professor de História Cláudio Ferreira, 34, conhecido como Pokémon. “Eu adoro o Fantasmão porque ele trata sempre de igualdade, seja social, cultural ou racial”. No carnaval, a banda chamou a atenção de Regina Casé, atriz e apresentadora da Rede Globo, que a considerou a melhor da festa baiana.
Um dos fatores que contribuíram para o sucesso do Fantasmão, eleita banda revelação do carnaval de 2007, é que eles conseguem aliar a alegria do pagode com letras que tratam dos problemas sociais, do preconceito e, principalmente, da luta pela igualdade. O povo se reconhece nas músicas, justifica Eddye. “Nós queremos levar alegria, mas também informação
e reflexão. Queremos fazer dançar, mas também pensar”.
A turbulenta saída de Eddye do Parangolé gerou conseqüências: a força por superar as adversidades e uma grande rivalidade entre fãs das duas bandas. A música “Dáli!” representa um pouco essa disputa. Na letra, ele critica as pessoas que o deixaram na mão e que hoje vêem suas conquistas. Ele manda o recado: “Fantasmas existem. Pra quem desacreditou, só lamento”.
Combater a injustiça e defender os oprimidos. Há mais semelhanças entre o baiano de Catu, Eddye, 24, e o sexagenário herói dos quadrinhos, Fantasma, do que apenas o nome. Líder da banda Fantasmão, ele vem sendo considerado símbolo dos excluídos baianos. O estilo de se vestir e os temas que costuma tratar em suas músicas remetem logo ao primeiro dos mascarados das HQs, desenhado desde 1936, por Lee Falk. Tal como o personagem, ele não possui super poderes. “A minha arma é o microfone. Acho que o povo tem que ajudar o povo”. Parece que o público concorda. Em sete meses, já possui uma legião de fãs que decorou suas músicas e repete cada verso como verdadeiros soldados que seguem um líder. “Olha o negão que é do gueto trazendo moda pra galera”, sintetiza, na letra de “Black Power”.
Mas, acentua Eddye, o sucesso não subiu à cabeça e ele continua uma pessoa simples, do povo. Afinal, um artista “na crista da onda” que recebe um estudante de jornalismo para almoçar e deixa o seu prato esfriar sobre a mesa do restaurante simples para responder às perguntas não é uma cena fácil de se imaginar: “Não esquenta, não, parceiro. A conversa ‘tá’ muito melhor do que o ‘rango’”, sentencia.
Em uma de suas músicas, Eddye canta em defesa da autenticidade. “Só não pode querer ser o que não é”. Talvez isso explique o assédio do público, recebido com a mesma atenção, no restaurante ou no trânsito. De dentro do carro, brinca: “fantasmas existem, não tenham medo, não”.
a trajetória// A tatuagem de Clave de sol revela uma das paixões de adolescente. A música entrou definitivamente na vida de Eddye aos 14 anos, quando começou a cantar em bandas de pagode, em Catu. Em 2005, teve a grande chance da carreira, quando foi escolhido, num teste, para cantar no Parangolé, chamando a atenção com músicas como “Ai Delícia” e “Tome Baculejo”.
Mas a carruagem virou abóbora e sua passagem pelo Parangolé acabou de maneira conturbada. “Não gosto de lembrar dessas coisas. O que passou, passou. Espero que dê tudo certo para todo mundo”. Na separação, sem duvidar de seu talento, ele tinha medo que ainda não tivesse conseguido firmar um nome para viabilizar um projeto próprio. Reuniu amigos que já tinham tocado com ele e montou o “Fantasmão”. Assim nasceu o grupo que, no nome, nas letras das músicas e no figurino expressa sua meta: chocar e assustar: “Agora eu já posso colocar o meu estilo na banda. Antigamente, só podia fazer o que mandavam”.
O novo estilo foi batizado pelos próprios músicos de “Groove Arrastado” e pretende ser um tipo diferente de pagode, mesmo com a chance de não atingir o grande público, explica Eddye.
A banda gravou um primeiro CD em 2006, que não foi muito divulgado. “Estava muito radical, iria chocar demais o público do pagode, então resolvemos gravar e lançar logo um outro álbum menos assustador”, conta.
A estratégia deu certo. O segundo disco caiu no gosto do público, e uma das faixas ficou entre as mais executadas no carnaval de 2007, “É Massa”. Embora não representasse tanto o estilo das composições de Eddye, a música levou o público às outras músicas, que hoje já estão na ponta da língua dos seus “seguidores”.
armação racial//
“Pra você que pensa que negro correndo é ladrão, tem branco de gravata roubando
de montão.” Eddye costuma denunciar, nas suas letras, a discriminação que o negro
sofre, além de exaltar as suas qualidades. “As pessoas geralmente me perguntam por
que eu falo tanto na questão racial, mesmo sendo moreno claro. Mas eu costumo falar:
preto é cor, mas negro é raça. E eu sou negão”.
Suas músicas são assim, tocam na ferida do preconceito velado que existe em cada ser
humano, filosofa. Apesar de não se considerar uma pessoa religiosa, Eddye também fala de religião, sempre reforçando seu discurso afirmativo pela exaltação da raça negra. “É difícil de
entender como, quase sempre, Jesus é pintado ou imaginado como um homem branco, de cabelos lisos, mesmo tendo sido do Oriente Médio”, indigna-se.
chamando atenção//
Com a mudança no estilo e a inserção dessas novas temáticas, Eddye conseguiu atrair a simpatia inclusive de pessoas que não gostavam de pagode, como o professor de História Cláudio Ferreira, 34, conhecido como Pokémon. “Eu adoro o Fantasmão porque ele trata sempre de igualdade, seja social, cultural ou racial”. No carnaval, a banda chamou a atenção de Regina Casé, atriz e apresentadora da Rede Globo, que a considerou a melhor da festa baiana.
Um dos fatores que contribuíram para o sucesso do Fantasmão, eleita banda revelação do carnaval de 2007, é que eles conseguem aliar a alegria do pagode com letras que tratam dos problemas sociais, do preconceito e, principalmente, da luta pela igualdade. O povo se reconhece nas músicas, justifica Eddye. “Nós queremos levar alegria, mas também informação
e reflexão. Queremos fazer dançar, mas também pensar”.
A turbulenta saída de Eddye do Parangolé gerou conseqüências: a força por superar as adversidades e uma grande rivalidade entre fãs das duas bandas. A música “Dáli!” representa um pouco essa disputa. Na letra, ele critica as pessoas que o deixaram na mão e que hoje vêem suas conquistas. Ele manda o recado: “Fantasmas existem. Pra quem desacreditou, só lamento”.
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