sábado, 27 de fevereiro de 2010

Relembrando matéria sobre Eddye



Para relembrar, resolvi colocar aqui a matéria que eu fiz ainda em 2007 sobre Eddye, as revoluções que ele estava provocando no pagode e a sua antiga banda Fantasmão. Essa é uma das matérias que mais me orgulho de ter feito, para o jornal Subescrito, da FSBA. Minha antiga professora, Nadja Vladi, vendo o sucesso de Eddye tempos depois, chegou a me chamar de visionário. Espero conseguir em breve fazer outra entrevista com meu amigo Eddye, agora sobre o Edcity.

Combater a injustiça e defender os oprimidos. Há mais semelhanças entre o baiano de Catu, Eddye, 24, e o sexagenário herói dos quadrinhos, Fantasma, do que apenas o nome. Líder da banda Fantasmão, ele vem sendo considerado símbolo dos excluídos baianos. O estilo de se vestir e os temas que costuma tratar em suas músicas remetem logo ao primeiro dos mascarados das HQs, desenhado desde 1936, por Lee Falk. Tal como o personagem, ele não possui super poderes. “A minha arma é o microfone. Acho que o povo tem que ajudar o povo”. Parece que o público concorda. Em sete meses, já possui uma legião de fãs que decorou suas músicas e repete cada verso como verdadeiros soldados que seguem um líder. “Olha o negão que é do gueto trazendo moda pra galera”, sintetiza, na letra de “Black Power”.
Mas, acentua Eddye, o sucesso não subiu à cabeça e ele continua uma pessoa simples, do povo. Afinal, um artista “na crista da onda” que recebe um estudante de jornalismo para almoçar e deixa o seu prato esfriar sobre a mesa do restaurante simples para responder às perguntas não é uma cena fácil de se imaginar: “Não esquenta, não, parceiro. A conversa ‘tá’ muito melhor do que o ‘rango’”, sentencia.
Em uma de suas músicas, Eddye canta em defesa da autenticidade. “Só não pode querer ser o que não é”. Talvez isso explique o assédio do público, recebido com a mesma atenção, no restaurante ou no trânsito. De dentro do carro, brinca: “fantasmas existem, não tenham medo, não”.
a trajetória// A tatuagem de Clave de sol revela uma das paixões de adolescente. A música entrou definitivamente na vida de Eddye aos 14 anos, quando começou a cantar em bandas de pagode, em Catu. Em 2005, teve a grande chance da carreira, quando foi escolhido, num teste, para cantar no Parangolé, chamando a atenção com músicas como “Ai Delícia” e “Tome Baculejo”.
Mas a carruagem virou abóbora e sua passagem pelo Parangolé acabou de maneira conturbada. “Não gosto de lembrar dessas coisas. O que passou, passou. Espero que dê tudo certo para todo mundo”. Na separação, sem duvidar de seu talento, ele tinha medo que ainda não tivesse conseguido firmar um nome para viabilizar um projeto próprio. Reuniu amigos que já tinham tocado com ele e montou o “Fantasmão”. Assim nasceu o grupo que, no nome, nas letras das músicas e no figurino expressa sua meta: chocar e assustar: “Agora eu já posso colocar o meu estilo na banda. Antigamente, só podia fazer o que mandavam”.

O novo estilo foi batizado pelos próprios músicos de “Groove Arrastado” e pretende ser um tipo diferente de pagode, mesmo com a chance de não atingir o grande público, explica Eddye.
A banda gravou um primeiro CD em 2006, que não foi muito divulgado. “Estava muito radical, iria chocar demais o público do pagode, então resolvemos gravar e lançar logo um outro álbum menos assustador”, conta.

A estratégia deu certo. O segundo disco caiu no gosto do público, e uma das faixas ficou entre as mais executadas no carnaval de 2007, “É Massa”. Embora não representasse tanto o estilo das composições de Eddye, a música levou o público às outras músicas, que hoje já estão na ponta da língua dos seus “seguidores”.

armação racial//
“Pra você que pensa que negro correndo é ladrão, tem branco de gravata roubando
de montão.” Eddye costuma denunciar, nas suas letras, a discriminação que o negro
sofre, além de exaltar as suas qualidades. “As pessoas geralmente me perguntam por
que eu falo tanto na questão racial, mesmo sendo moreno claro. Mas eu costumo falar:
preto é cor, mas negro é raça. E eu sou negão”.

Suas músicas são assim, tocam na ferida do preconceito velado que existe em cada ser
humano, filosofa. Apesar de não se considerar uma pessoa religiosa, Eddye também fala de religião, sempre reforçando seu discurso afirmativo pela exaltação da raça negra. “É difícil de
entender como, quase sempre, Jesus é pintado ou imaginado como um homem branco, de cabelos lisos, mesmo tendo sido do Oriente Médio”, indigna-se.

chamando atenção//
Com a mudança no estilo e a inserção dessas novas temáticas, Eddye conseguiu atrair a simpatia inclusive de pessoas que não gostavam de pagode, como o professor de História Cláudio Ferreira, 34, conhecido como Pokémon. “Eu adoro o Fantasmão porque ele trata sempre de igualdade, seja social, cultural ou racial”. No carnaval, a banda chamou a atenção de Regina Casé, atriz e apresentadora da Rede Globo, que a considerou a melhor da festa baiana.

Um dos fatores que contribuíram para o sucesso do Fantasmão, eleita banda revelação do carnaval de 2007, é que eles conseguem aliar a alegria do pagode com letras que tratam dos problemas sociais, do preconceito e, principalmente, da luta pela igualdade. O povo se reconhece nas músicas, justifica Eddye. “Nós queremos levar alegria, mas também informação
e reflexão. Queremos fazer dançar, mas também pensar”.

A turbulenta saída de Eddye do Parangolé gerou conseqüências: a força por superar as adversidades e uma grande rivalidade entre fãs das duas bandas. A música “Dáli!” representa um pouco essa disputa. Na letra, ele critica as pessoas que o deixaram na mão e que hoje vêem suas conquistas. Ele manda o recado: “Fantasmas existem. Pra quem desacreditou, só lamento”.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Tatau está de parabéns - A polêmica do Lobo Mau

A grande polêmica do carnaval deste ano girou em torno da música Lobo Mau, da banda O Back, mas que foi divulgada depois das execuções de Ivete Sangalo. Tatau, em cima do seu trio, logo na quinta-feira, não atendeu aos pedidos para cantar essa canção. Ele disse que cantaria qualquer uma, mas que não se sentiria à vontade com essa porque está fazendo parte de uma campanha contra a exploração sexual infantil.

Ele ainda foi criticado por vários outros artistas que continuaram tocando a música por achar que a letra não tem nada demais. Talvez a música realmente não tenha nada a ver com pedofilia, por isso não vejo nenhum problema para os que resolvem cantar, mas já que ele entendeu dessa maneira, aplaudo a sua atitude de não ferir seus princípios. Imagine quantos outros artistas devem pensar igual, mas acabam cantando porque sabem que está no gosto do povo.

E pelo que conheço de Tatau não foi nenhum falso moralismo, ou "vontade de aparecer" como ouvi de algumas pessoas. É a mesma coisa que valorizo em Xanddy que não canta ou modifica as letras das músicas que ele considera pesadas para o seu público. Vale lembrar que, pelo que me recordo, a única música gravada pelo Harmonia que foge essa linha é Agachadinho, ainda do primeiro CD.

Uma vez quando entrevistei Eddye, o mesmo disse que antes não entendia e não concordava quando Xanddy modificava as letras ou se recusava a cantar músicas, inclusive das que ele cantava como Pica-Pau, da época do Parangolé, mas que depois que ele teve filhos pequenos entendeu o motivo e passou a apoiar essa atitude.

Os Melhores do Carnaval

Melhor cantor ou cantora geral:
Xanddy (Harmonia)


Melhor cantor ou cantora de Axé:
Tomate


Melhor banda de Axé:
Timbalada


Melhor música:
Comando (Harmonia)


Melhor música de axé:
Balanço do Chiclete

Outros comentários sobre o carnaval

* Nos dias em que estive na festa, o artista que eu achei que mais conseguiu animar seus foliões foi Tomate. Não gostava dele nos tempos de Rapazolla, mas acho que cresceu muito com o tempo e com a carreira solo. Outro destaque para ele foi o fato de ter convidado e homenageado o "Rei do Arrocha", Silvano Salles, em cima do seu trio, cantando Parará. De Parabéns.

* Não tive o prazer de ver o Harmonia in loco nesse carnaval, mas pela TV fiquei com a certeza de que ainda é imbatível, mesmo com toda celeuma em torno do trio Rebolation, Léo Santana e Parangolé nesse carnaval, o Harmonia ainda segue no comando.

* Por falar em Léo Santana, fiquei impressionado com pessoas que faziam parte da cobertura jornalística da festa e agiam como se o Parangolé tivesse surgido nesse carnaval do nada. Cheguei a ouvir que a banda era a grande revelação do carnaval desse ano. Como assim? Revelação? Seria como um jogador com mais de 30 anos ganhar esse prêmio no Campeonato Brasileiro. Para mim, o Parangolé já teve momentos até superiores ao atual, na época de Mucinho, de Bambam e de Eddye, este sim que resgatou a banda do ostracismo. E vale lembrar que Léo já ganhou o troféu Dodô e Osmar de cantor revelação de 2009.

* Foi massa ver Luiz Caldas arrebentando em cima do Trio Tapajós no sábado à noite em Ondina. Massa ver que o público estava curtindo. E nem é por saudosismo, mas o cara continua bom. E foi ótimo ler o ótimo "Olhar de Lança", sua coluna diária nos dias da festa no Jornal A Tarde.

Comentários mal humorados sobre o carnaval de 2010

Não teve coisa mais chata nesse carnaval do que esse tal de "Vale-Night". A música lançada pelo Asa na Bahia, mas originalmente da banda Cannibal, de Alagoas, não pegou muito, mas a ideia da apologia sem disfarces à infidelidade nos tempos momescos, era repetida por diversas pessoas, exaustivamente, em qualquer canto da folia ou até mesmo fora dela. O pior é que eu não consegui encontrar a graça que poderia existir nesse tipo de brincadeira.

Também não achei graça de centenas de homens fantasiados de chapéuzinho vermelho. Um bando de marmanjo confundindo a floresta com as avenidas soteropolitanas. Menos engraçadas ainda foram as incontáveis brigas que eu vi enquanto estava em Ondina ou as pessoas passando carregadas ou jogadas em qualquer canto por causa de bebida. Nesse momento, muitos esquecem qualquer resquício de dignidade humana.

Na própria sexta-feira, uma cena me envergonhou muito. A Timbalada vinha fazendo uma bonita apresentação, com Denny caracterizado como Michael Jackson, quando o vocalista teve que avisar que ia ter que parar de tocar por questão de segurança em decorrência da queda de um fio de alta tensão a alguns metros dali. Muitos presentes, demonstrando total compreensão, começaram a vaiá-lo. Os apupos foram tão insistentes que o cantor empunhou o microfone novamente para tentar explicar novamente o motivo da interrupção. Em vão.

Outra coisa extremamente irritante é ver muitos turistas se divertindo muito, mas sem deixar de criticar os baianos ou a própria Bahia. Sem contar nas pessoas que passam o ano inteiro esculhambando o pagode e durante uma semana se acabam de dançar e curtir para voltar a criticar logo na quarta-feira de cinzas.

Apresentação

Leandro Silva

Sou jornalista esportivo. O assunto que eu mais gosto de escrever é mesmo o futebol. Para quem se interessar, muitos dos meus textos estão disponíveis no www.leandrosilva81.blogspot.com . No entanto, também gosto de me informar e opinar sobre música. Principalmente, sobre os estilos mais populares, no sentido de que agradam ao povo baiano. Pensando nisso, estou inaugurando esse novo blog.

Por isso, devo falar mais sobre Pagode, Arrocha, Axé, Samba, mesmo que os artistas não sejam daqui da Bahia. Pretendo postar resenhas de CDs, comentários diversos, bem como matérias diversas sobre música. Espero que você goste e comente.